Aquivos por Autor: calbsilva

O vento arrasta a cinza


Em 2004, quando foi escrito, este poema tinha as palavras «o pólen» no lugar das palavras «a cinza». Fica a homenagem aos que combateram e sofreram com os incêndios de 15 e 16 de Outubro de 2017, em particular no Pinhal de Leiria.

Num ligeiro remoinho 
o vento arrasta a cinza 
das flores do verde pino. 
 
E traz consigo a memória 
do velho rei trovador: 
– Ai flores do verde pino. 
 
Quem suspira mansamente 
pelos pinhais do litoral? 
Será o vento ou o mar? 
 
Ou serão ainda os ecos 
duma cantiga de amigo? 
– Ai flores do verde pino. 
 
Perdida na bruma densa
do tempo sem remissão 
soa a mágoa do poeta: 
 
– Ainda ouvis minha voz? 
Ainda vos lembrais de mim 
ó flores do verde pino? 
 
Mas só responde o murmúrio 
do vento que arrasta a cinza 
das flores do verde pino.

Demissão

– Demitam a ministra! – berrava o bode “espiatório” -. Aplaquemos os deuses com um sacrifício político. O resto, é deixar arder…

Ó Nesco!

– Alô? É só pa dezer que me derrisquem dessa coisa da ónesco, ó lá uquié. Sisso num presta pós camones, tamém num quero. Óbrigadinho.