{"id":72,"date":"2014-08-26T23:26:20","date_gmt":"2014-08-26T23:26:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/2014\/08\/26\/hanasaka-ji-san-o-homem-que-faz-florir-as-arvores\/"},"modified":"2014-08-26T23:26:20","modified_gmt":"2014-08-26T23:26:20","slug":"hanasaka-ji-san-o-homem-que-faz-florir-as-arvores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/amoranegra.pt\/?p=72","title":{"rendered":"Hanasaka Ji-San &#8211; O homem que faz florir as \u00e1rvores"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/amoranegra.wordpress.com\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/hanasaka-ji-san-capa-1.jpg\" alt=\"&quot;\/\"\/><\/p>\n<p>(Conto tradicional do Jap\u00e3o)<\/p>\n<p><em>Mukashi mukashi\u2026<\/em>&nbsp;(era uma vez), h\u00e1 muito tempo, vivia numa aldeia remota um casal de velhotes sem filhos, pobres, mas muito bondosos. Um dia, a mulher foi ao rio para lavar a roupa.<br \/>\nQuando estava na sua faina, viu a descer a corrente, sobre um tronco flutuante, um cachorrinho branco. Muito surpreendida, a mulher resgatou o cachorrinho e levou-o para casa com ela.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O casal ficou muito feliz com aquele cachorrinho. Trataram do animal com muito amor e carinho e puseram-lhe o nome de SHIRO, que significa \u00abbranco\u00bb. \u00c0 volta do pesco\u00e7o, colocaram-lhe uma fita vermelha brilhante.<br \/>\nDe dia para dia, em resultado dos cuidados do casal, Shiro crescia forte e saud\u00e1vel e sempre meigo e obediente.<\/p>\n<p>Um dia, o homem levou Shiro consigo at\u00e9 \u00e0 montanha para apanhar um pouco de lenha. Quando estava a cortar os ramos de uma \u00e1rvore, ouviu o c\u00e3o a ladrar muito alto, enquanto escavava o ch\u00e3o com as patas.<br \/>\n&#8211; O que foi que encontraste, Shiro? Queres que te ajude? &#8211; perguntou o velho.<br \/>\nPegou numa enxada e come\u00e7ou a cavar tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211; Oh, o que \u00e9 isto, t\u00e3o brilhante?<br \/>\nPara surpresa do velho, no buraco que ambos haviam escavado, apareceram imensas moedas de ouro reluzente.<br \/>\nO velhote colocou todas as moedas num saco e voltou para casa.<\/p>\n<p>Quando o velho estava a mostrar as moedas \u00e0 mulher, um vizinho mau e ganancioso que morava ao lado entrou em casa.<br \/>\n&#8211; Posso entrar? Eia, mas que belo tesouro! Onde o acharam? &#8211; perguntou, com os olhos a brilhar de cobi\u00e7a.<br \/>\nOuvindo a hist\u00f3ria do bondoso velho, o vizinho pediu se este lhe emprestava Shiro por um bocado.<br \/>\nComo era muito caridoso, o velhote concordou em emprestar o c\u00e3o, na condi\u00e7\u00e3o de tratarem muito bem dele.<\/p>\n<p>O outro, ganancioso, foi logo a correr com Shiro para a montanha.<br \/>\n&#8211; Agora, trata de encontrar ouro para mim ou levas uma sova &#8211; ordenou ele ao c\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o tardou que Shiro come\u00e7asse a escavar num determinado s\u00edtio. O velho ficou muito contente e come\u00e7ou a cavar tamb\u00e9m. No entanto, tudo o que encontrou no buraco foram cobras, sapos e lagartos.<br \/>\nFurioso, come\u00e7ou a gritar:<br \/>\n&#8211; Tu \u00e9s um c\u00e3o muito mau! Como te atreves a enganar-me?<br \/>\nE bateu tanto no pobre bicho, que o matou.<\/p>\n<p>Como o vizinho nunca mais voltava com Shiro, os donos foram pedir-lhe que o devolvesse. Sem hesitar, o malvado respondeu-lhes que o tinha matado por causa do seu mau comportamento.<br \/>\n&#8211; Para o poderem confirmar, plantei um pinheiro para marcar o lugar onde o enterrei \u2013 disse, com raiva.<\/p>\n<p>Ao receber esta terr\u00edvel not\u00edcia, o velho e a velha choraram amargamente.<br \/>\nNa manh\u00e3 seguinte, o casal foi at\u00e9 ao local onde Shiro fora enterrado. Para sua surpresa, constataram que, durante a noite, o pinheiro crescera e se tinha tornado numa \u00e1rvore de grande porte. A velha disse ent\u00e3o:<br \/>\n&#8211; Marido, lembras-te de como Shiro gostava de comer bolos de arroz? Vamos cortar esta \u00e1rvore e fazer um pil\u00e3o para moer o arroz e fazer bolos em mem\u00f3ria do nosso amado c\u00e3ozinho.<\/p>\n<p>O bondoso velho cortou ent\u00e3o a \u00e1rvore e, com o tronco, fez um pil\u00e3o. Chegados a casa, a mulher deitou-lhe um pouco de arroz dentro. Mas logo que o pau do pil\u00e3o bateu no arroz, aconteceu uma coisa extraordin\u00e1ria: este transformou-se de imediato em moedas de ouro!<br \/>\nNesse instante, entrou a mulher do vizinho malvado, que tamb\u00e9m era m\u00e1 e gananciosa. Assim que viu todas aquelas moedas de ouro a sair do pil\u00e3o, encheu-se de inveja,<br \/>\n&#8211; Agora, v\u00e3o ter a amabilidade de me deixar usar esse pil\u00e3o \u2013 disse, agarrando nele e correndo para sua casa.<\/p>\n<p>A velha gananciosa deitou arroz no pil\u00e3o e come\u00e7ou a bat\u00ea-lo com o velho. Mas assim que come\u00e7aram, o arroz transformou-se em esterco malcheiroso, salpicando tudo \u00e0 volta. O casal malvado ficou coberto de porcaria.<br \/>\nIsso f\u00ea-los ficar com tanta raiva que partiram o pil\u00e3o em peda\u00e7os e queimaram-no no fog\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o velho bondoso foi pedir ao vizinho que lhe devolvesse o pil\u00e3o, este respondeu com altivez:<br \/>\n&#8211; Vens pedir-me o pil\u00e3o? Fi-lo em peda\u00e7os e queimei-o no fog\u00e3o. S\u00f3 ficaram as cinzas. Podes lev\u00e1-las se quiseres, poupas-me o trabalho de limpar o fog\u00e3o.<br \/>\nO bom velhote ficou muito triste porque o pil\u00e3o o fazia lembrar Shiro. Por isso, apanhou algumas cinzas do fog\u00e3o e levou-as.<\/p>\n<p>Era inverno e todas as \u00e1rvores estavam nuas.<br \/>\nO velho caminhava tristemente para casa, quando uma s\u00fabita rajada de vento espalhou algumas das cinzas que levava consigo. Surpreendentemente, onde as cinzas ca\u00edram, as plantas reverdejaram e floriram.<br \/>\nCompreendendo o que acabara de acontecer, o velho animou-se e exclamou:<br \/>\n&#8211; Ah, meu querido Shiro, mesmo morto e enterrado, partido e queimado, continuas a realizar os teus sortil\u00e9gios.<\/p>\n<p>Em mem\u00f3ria do seu amado Shiro, subiu ent\u00e3o a uma grande cerejeira e espalhou algumas cinzas nos ramos nus, dizendo:<br \/>\n&#8211; \u00c1rvore nua, \u00e1rvore nua, deixa sair as tuas flores.<br \/>\nNum instante, a \u00e1rvore ficou coberta com as mais belas flores que alguma vez se viram.<br \/>\nUm Lorde, que passava com a sua comitiva, viu o que o velho acabara de fazer e exclamou, espantado:<br \/>\n&#8211; Que maravilha!<\/p>\n<p>O Lorde ficou t\u00e3o satisfeito que honrou o bondoso velho com um novo nome, Hanasaka Ji-San, que significa \u00abo homem que faz florir as \u00e1rvores\u00bb, e recompensou-o com prata e ouro e muitas outras coisas preciosas.<\/p>\n<p>Ora, o vizinho malvado, que estava a espreitar atr\u00e1s da sua casa, viu tudo isto e, mais uma vez, ficou ro\u00eddo de inveja.<br \/>\nCorreu \u00e0 cozinha, apanhou as cinzas restantes e foi apresentar-se ao Lorde, afirmando:<br \/>\n&#8211; Meu Senhor, eu sou capaz de fazer as \u00e1rvores florescer de forma ainda mais bela.<br \/>\nSubiu a uma \u00e1rvore e atirou sobre os seus ramos um punhado de cinzas.<br \/>\nMas a \u00e1rvore n\u00e3o floriu. Levadas pelo vento, as cinzas foram directas aos olhos do Lorde, que ficou furioso.<\/p>\n<p>Considerando-se o acontecido uma ofensa muito grave, o vizinho malvado foi a\u00e7oitado e posto na pris\u00e3o at\u00e9 ao resto dos seus dias. E assim pagou por todas as suas maldades.<br \/>\nO bom velhinho, no entanto, tornou-se um homem rico e pr\u00f3spero e ele e a mulher viveram uma vida longa e feliz, amados e respeitados por todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Conto tradicional do Jap\u00e3o) Mukashi mukashi\u2026&nbsp;(era uma vez), h\u00e1 muito tempo, vivia numa aldeia remota um casal de velhotes sem filhos, pobres, mas muito bondosos. Um dia, a mulher foi ao rio para lavar a roupa. 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