Lenda da fonte sagrada de É-Bua

Vista de Ataúro

Mau-Bua e Rita foram um dia ter a Mau-Láku, onde aquele veio a falecer. Rita, sua mulher, mascou umas folhas e bagos de bétel e uma noz de areca e meteu-lhos na boca, sepultando-o em seguida. Passados sete dias, nasceram à cabeceira da sepultura de Mau-Bua um pé de bétel e uma arequeira, à qual apareceu agarrado um pequeno animal que falava. Um sacerdote ouviu-o e quis saber o que pretendia, revelando-se então o animal como a encarnação de Mau-Bua e acrescentando que aquele lugar passaria a chamar-se É-Bua (água + areca) e, desde esse momento, se deveriam usar bétel e areca em todos os ritos. Rita transformou-se em polvo e fez brotar uma fonte que tem o nome de É-Bua e de que ela é a divindade tutelar, sendo em sua honra que, todos os anos, se celebra o rito da chuva, que dura três dias.

* Esta fonte fica situada no suco de Makíli, na ilha de Ataúro.

in DUARTE, Jorge Barros – Timor, Mitos e Ritos Ataúros. Lisboa: ICALP, 1984