Raspanete galáctico

Calados e quietos! Meninos, ganhem juízo! Tu, Quim, não provoques o Donald! E tu, Donald, não te metas com o Quim. Deixem-se de parvoíces, que estão a incomodar a vizinhança.
Se não ganham juízo, ponho um a cada canto. Mais: se for preciso, meto-vos, cada um, em cantos opostos do mundo.
Espera lá! Vocês já estão em cantos opostos do mundo e, mesmo assim, não param de se azucrinar e de azucrinar a vizinhança.
Acho que vou ter de vos enfiar numa nave espacial e mandar-vos para a lua. Tiro de lá o homem com o molho de silvas e ponho-vos no lugar dele.
Não, para a lua, não. É mesmo ali ao lado e vocês desarrumavam aquilo tudo num instante. Para além de incomodar a vizinhança de dia, passavam a incomodá-la também de noite, na lua cheia, na lua nova, no quarto minguante e no crescente. Safa!
Acho que o foguetão terá de ir um bocado mais longe. Sei lá, para além dos limites do sistema solar. E aí, sim, podem fazer as vossas coboiadas à vontade, que os vizinhos já não se vêm cá queixar. E podem levar os vossos minúsculos penduricalhos (e umas lupas), para se divertirem a comparar quem o tem maior.
Com um pouco de sorte, numa bela tarde de Verão, a vizinhança ouvirá um traquezinho ligeiro vindo das profundezas do universo. Que é quando vocês, finalmente, rebentam um com o outro e esta história acaba de vez. Irra!